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sábado, 27 de setembro de 2008
Coração Civil
Esses eleições às Prefeituras dos municípios brasileiros apresentam alguns retrocessos políticos. Nas três cidades em que mais respiro, Niterói, Manaus e Nova Friburgo, o quadro não é muito animador.
Em Manaus, há a inacreditável volta do Amazonino Mendes à disputa pela Prefeitura. Mais impensável que sua candidatura é o fato de ele contar com quase 50% de apoio popular, segundo pesquisas do Ibope. É certo que há chance de o bom prefeito Serafim Corrêa ir ao segundo turno, ao menos.
Em Nova Friburgo, Heródoto Bento de Mello voltou à disputa pelo cargo de prefeito depois de uma temporada na Sibéria socializando-se ao mundo da ciência. Da Sibéria o imaginativo candidato voltou pensando em trens e aviões. Trata-se de um cidadão Kane (capitalizado pelo dinheiro público, é claro).
Em Niterói, um acordão político pouco republicano agrega o PDT ao DEM (e muitos outros partidos) para eleger um desses políticos da mais pura tradição personalista, paternalista, o Jorge Roberto Silveira. Em aliança com o DeM(o)...
Quanto aos dois primeiros candidatos, fico aqui matutando sobre o que é necessário fazer para que os TRE's do Amazonas e do Rio de Janeiro, além do Tribunal Superior Eleitoral, impugnem candidaturas.
Penso que a transformação do nosso estado de coisas passe pela eleição de figuras e partidos comprometidos com a perspectiva de igualdade entre os homens e bom trato com a coisa pública. Acredito, entretanto, que anterior ou junto a isso deve ser a nossa mudança enquanto sociedade. A própria sociedade brasileira deve relativizar alguns de seus valores, deixar de lado o famoso "Você sabe com quem está falando" e outras práticas que reforçam nossas desigualdades e lançar-se à democracia de corpo e alma.
A música que eu posto aqui é bela! Que símbolos como esse sempre unam os brasileiros! Essa versão de "Coração civil" é do Coral de Meninos São Geraldo de Belo Horizonte. Achei no youtube. A composição é de Milton Nascimento e Fernando Brant.
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quarta-feira, 9 de maio de 2007
16 graus em Niterói
Parece que agora se inicia mesmo o período do friozinho no Sudeste. Quer dizer, friozinho cá por Niterói. E mais, friozinho para quem é daqui: para quem nasceu na Amazônia, qualquer temperatura abaixo dos 24 graus já é frio.
Hoje, 9 de maio, em Niterói faz agora 16 graus às 15 e 30. Noutro dia, peguei 6 graus e meio em Friburgo. Naquela parte do sudeste brasileiro, o frio é grande.
De qualquer forma, é uma boa época para ler e ficar em casa. E curtindo o friozinho, li isso:
"e a vida continuava, continuava, continuava, com um colar de arroz em que cada grão levasse uma paisagem pintada, grãos diminutos e paisagens microscópicas, e eu sabia que todos punham o colar no pescoço mas ninguém tinha suficiente paciência ou força de ânimo para tirar o calor , aproximá-lo dos olhos e decifrar grão a grão cada paisagem, em parte porque as miniaturas exigiam olhos de lince, olhos de águia, em parte porque as paisagens costumavam proporcionar surpresas desagradáveis..." (Bolaño, Noturno do Chile, Ed. Cia das Letras)
Acho o autor dessas palavras um cara muito interessante. Em parte, talvez, porque já morreu e não pode falar mais do que já escreveu. Talvez se tivesse por aí falando coisas das quais discordo,
não gostasse tanto dos seus textos.
É isso!
Hoje, 9 de maio, em Niterói faz agora 16 graus às 15 e 30. Noutro dia, peguei 6 graus e meio em Friburgo. Naquela parte do sudeste brasileiro, o frio é grande.
De qualquer forma, é uma boa época para ler e ficar em casa. E curtindo o friozinho, li isso:
"e a vida continuava, continuava, continuava, com um colar de arroz em que cada grão levasse uma paisagem pintada, grãos diminutos e paisagens microscópicas, e eu sabia que todos punham o colar no pescoço mas ninguém tinha suficiente paciência ou força de ânimo para tirar o calor , aproximá-lo dos olhos e decifrar grão a grão cada paisagem, em parte porque as miniaturas exigiam olhos de lince, olhos de águia, em parte porque as paisagens costumavam proporcionar surpresas desagradáveis..." (Bolaño, Noturno do Chile, Ed. Cia das Letras)
Acho o autor dessas palavras um cara muito interessante. Em parte, talvez, porque já morreu e não pode falar mais do que já escreveu. Talvez se tivesse por aí falando coisas das quais discordo,
não gostasse tanto dos seus textos.
É isso!
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