Sempre me pego refletindo a respeito de grandes figuras do Brasil e, às vezes, do meu estado natal. O Amazonas não tem uma grande quantidade de escritores renomados no país, mas há um autor contemporâneo que me encanta. Trata-se de Milton Hatoum. Gosto muito de sua escrita, e da complexa Manaus que ele faz mundo com suas palavras. Os personagens manauaras e amazoneneses circulam por suas tramas como altivos senhores do mundo. Todos somos reis: daí a importância de contar o humano no que tem de universal a partir do local.
Do ponto de vista pessoal, o cheiro da Manaus que o Hatoum descreve é aquele que eu sinto todas as vezes em que vou por lá. É uma mistura de galhardia e tristeza, fausto e miséria, pureza e podridão. Essa Manaus eu penso que carrego comigo.
Nos últimos dias, li o último livro publicado por ele: a novela "Órfãos do Eldorado". Gostei muito do texto e achei interessantíssima a epígrafe de abertura do livro: é um trecho de um poema de Konstantino Kafávis. Reproduzo uma pequena parte aqui:
"Não encontrarás novas terras, nem outros mares.
A cidade irá contigo. Andarás sem rumo.
Pelas mesmas ruas. Vais envelhecer no mesmo bairro.
Teu cabelo vai embranquecer nas mesmas casas.
Sempre chegarás a essa cidade. Não esperes ir a outro lugar.
Não há barco nem caminho pra ti."
segunda-feira, 7 de abril de 2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
massacre na Palestina
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
os imortais
"Doutrinada num exercício de séculos, a república dos homens imortais atingira a perfeição da tolerância e quase do desdém. Sabia que em um prazo infinito ocorrem a todo homem todas as coisas. Por suas passadas ou futuras virtudes, todo homem é credor de toda bondade, mas também de toda traição, por suas infâmias do passado ou futuro."
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jorge luis borges
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
carcará
Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que homeCarcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que homeCarcará
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