sexta-feira, 12 de setembro de 2008

porque um dia chuvoso tem muita graça


Ontem, Allende; hoje, Evo Morales

Triste coincidência chama a atenção nesse início de setembro. Há que lembrar, é claro, do 11 de setembro chileno: aqueles acontecimentos foram muito tristes para a democracia do Chile e para o povo sul-americano.
Hoje, 12 de setembro, um outro governo de esquerda é ameaçado pelos interesses de uma oligarquia tacanha e por apoiadores que, no mínimo, têm pouco apreço pela democracia.
Se Allende tinha dificuldade para governar por ter menos que cinquenta por cento dos votos válidos, e isso é longe de ser atenuante para o crime praticado contra seu governo, o de Evo conta cerca de 65% de amparo dos votos bolivianos.
Vendo o problema aqui do Brasil, não fico surpreso porque não espero nada mesmo dos jornais brasileiros, mas é triste ler as abordagens sobre esses atos anti-democráticos na Bolívia. Todos os jornais abriram espaço, com textos e convites a especialistas ao problema da remessa de gás da Bolívia ao Brasil, prejudicada pelos vândalos da direita boliviana. O ministro entrevistado pelas rádios e TV's não foi o de Relacões Exteriores, mas o amigo do Sarney e Ministro da Energia Edson Lobão.
E, poxa, o que é ser de direita na Bolívia hein? O país é o mais pobre do continente, apresenta uma super desigualdade social-econômica entre índios e não-índios. Os governos de direita e liberais que antecederam o de Evo dilapidaram os cofres, mesmo diminuindo o Estado com as privatizações. No fim das contas, ainda saíram assassinando pobres sob as ordens do Gonzalo Lozada, que mora, é claro, nos EUA.
Penso até que essas agitações atuais não terão força para abrir caminho para um golpe de Estado. Os países da América do Sul, em especial os mais importantes, Brasil, Argentina, Chile e Venezuela, além de Uruguai, já se anteciparam ao afirmar que não reconhecerão qualquer governo que se imponha ao governo democraticamente eleito. Além disso, as sanções econômicas que o Brasil e a Argentina podem imputar a um governo golpista seriam muito grandes.
Entretanto, acho que o jogo deles é mesmo ficar mexendo sempre para atrapalhar o Governo do Evo, de olho nas eleições seguintes.

Boas energias ao Evo e ao povo da Bolívia!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

eu no cenário fluminense


Há dez anos, desde Manaus, invado a paisagem fluminense.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

retorno ao blog e links

Adicionei blogs interessantes ao lado. Andava um pouco afastado do meu próprio, por conta de trabalho e outras coisas.
Adicionei alguns endereços aos quais sempre corro em busca de bons textos e reflexões das mais variadas: os blogs de Milton Ribeiro e Idelber Avelar. Os caras são feras da arte de escrever e sucesso no mundo dos blogs.
Indico a leitura do Blog do Moisés Arruda, amazonense como eu e exilado da terra natal. Os textos são muito legais, sempre abordando questões referentes às amazonidades . Além disso, o diálogo com o Moisés foi o responsável pela abertura desse espaço de links, inexistente no Blog do Ega até então.
Outro blog indicado é o dopedal.blogspot.com, interessantíssimo por sua tentativa de apontar a viabilidade e mesmo a necessidade de aumentarmos o uso de bicicletas nas nossas cidades. No caso dele, a cidade-alvo é a maravilhosa Nova Friburgo, na serra fluminense.
O último endereço que apontei aqui diz respeito a sofrer. É um site de notícias a respeito do grande Vasco da Gama. Ultimamente, boas notícias não há! É sempre bom dar uma olhada, entretanto. Vai que o Vasco contrata um gênio futebolístico perdido pelos rincões do Brasil...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Milton Hatoum

Sempre me pego refletindo a respeito de grandes figuras do Brasil e, às vezes, do meu estado natal. O Amazonas não tem uma grande quantidade de escritores renomados no país, mas há um autor contemporâneo que me encanta. Trata-se de Milton Hatoum. Gosto muito de sua escrita, e da complexa Manaus que ele faz mundo com suas palavras. Os personagens manauaras e amazoneneses circulam por suas tramas como altivos senhores do mundo. Todos somos reis: daí a importância de contar o humano no que tem de universal a partir do local.
Do ponto de vista pessoal, o cheiro da Manaus que o Hatoum descreve é aquele que eu sinto todas as vezes em que vou por lá. É uma mistura de galhardia e tristeza, fausto e miséria, pureza e podridão. Essa Manaus eu penso que carrego comigo.
Nos últimos dias, li o último livro publicado por ele: a novela "Órfãos do Eldorado". Gostei muito do texto e achei interessantíssima a epígrafe de abertura do livro: é um trecho de um poema de Konstantino Kafávis. Reproduzo uma pequena parte aqui:

"Não encontrarás novas terras, nem outros mares.
A cidade irá contigo. Andarás sem rumo.
Pelas mesmas ruas. Vais envelhecer no mesmo bairro.
Teu cabelo vai embranquecer nas mesmas casas.
Sempre chegarás a essa cidade. Não esperes ir a outro lugar.
Não há barco nem caminho pra ti."