domingo, 31 de maio de 2009

anotações fortuitas: as velhas russas

Anotação na manhã de um dia chuvoso em Brasília:

Penso em duas velhas mulheres fugitivas da 2a. Guerra Mundial ainda escondidas em floresta isolada na Rússia. Sabem que ainda não se deu o fim das batalhas entre os exércitos, e das derrotas de uns e das vitórias de outros. Judias, fogem de todo contato possível com outros seres humanos. Uma delas, entretanto, está doente. É o início de uma mudança no mundo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Na República dos Broches, há também os criativos

Os observadores do Blog do Ega espalhados pela rede indicaram um blog desses que não se pode perder: é o blinkyoureyestwice.blogspot.com ! Achei muito legal! O Link está aqui ao lado!

A poluição de Brasília me impede de ter idéias! Parece que a fumaça não sobe.

De bom: dei um abraço no Lula! Acho que essa é para contar pros netos!

De ruim: a Azul ainda não faz Brasília-Rio!

Um outro lançamento na rede merece lembrança: é o www.ovascoemeu.com.br . Trata-se de campanha do Vasco da Gama para atrair novos sócios aos quadros do clube. A meta é atingir 100.000 novos em 2009. Em cinco dias, quase 20.000 se associaram, mas eu não. Meu objetivo pessoal é ser o centésimo milésimo dessa nova leva. Isso é uma revolução na vida do clube!

E o que é uma Revolução? Para Guedáli, personagem do Isaac Bábel no conto "Guedáli", "... Revolução é alegria. E alegria não gosta de ter órfãos pela casa. O homem faz boas obras. A Revolução é uma boa obra de homens bons. Mas os homens bons não matam. Então, quer dizer que quem faz a Revolução são os homens maus." Será? O Bábel, grande revolucionário, foi condenado à prisão e à morte na Sibéria pelo Stalin.

Hoje ouvi uma história, não sei se verídica, de um colega a respeito do Stálin: num determinado dia, um general do Exército Vermelho, observando alguns desvios de Stálin, decide matá-lo. Rompe o cerco da segurança do ditador e entra no seus aposentos. Quando vai concluir a obra, Stálin diz que o morto ali não será ele próprio, mas a própria Rússia, a Revolução Bolchevique, o Estado Russo. Complementa ainda apontando o futuro sombrio que já aguardava o general. Atarantado, o sujeito suicida-se.

Saudações latino-americanas porque amazonenses!

sábado, 25 de abril de 2009

Na República dos Broches, há também os corajosos

Esse post é mais uma comemoração, comemoração do dia em que um brasileiro falou verdades ao Presidente do STF. O Ministro Barbosa disse poucas e boas ao figurão do Mato Grosso e ainda foi curtir os cumprimentos do povão pelas ruas do Rio: da caminhada do Bar Luiz, no Largo da Carioca (acho que é por ali) até a Avenida Rio Branco, o Ministro foi abraçado, fotografado, aplaudido. Maravilha!

Na verdade, o atual texto ia nascendo de mais observações sobre a vida na capital brasileira. Um deles, o uso ostensivo de broches por servidores do Estado, se destaca entre os mais curiosos. É necessário apontar que só os servidores em altos cargos comissionados (na verdade, nem tão altos) usam os tais brochinhos. É muito interessante esse país: republicano, democrático, mas cheio de simbolos que contrariam seus princípios constitucionais.

Pois bem, quem chegar a Brasília e notar que engravatados costumam usar broches até nas filas dos supermecados (sintomático, não?), deve lembrar que os pequenos acessórios são um dos grandiosos símbolos de sucesso pessoal-profissional-político em Brasília.

Mesmo em viagens para longe do DF, onde a mais fácil identificação para o acesso aos Ministérios não é o essencial e nem pode ser usada como argumento, os republicanos usuários não esquecem os seus amados broches.

Deve existir nesses sites de relacionamentos comunidades do tipo "comunidade dos broches unidos" e coisas assim.

Não quis fazer nenhuma grande investigação sobre isso, mas uma declaração de um colega de trabalho resume bem o espírito da coisa: "... mas o Ministro não pode usar crachá: é muito feio". Aqui todo mundo sonha com dias melhores na vida buscando seu brochinho.

sábado, 4 de abril de 2009

o tempo

No diálogo com um homem do futuro sem nome, Eudoro Acevedo, personagem de Borges, assim fala de seu tempo:

“No meu curioso ontem, prevalecia a superstição de que entre cada tarde e cada manhã acontecem fatos que é uma vergonha ignorar. O planeta estava povoado de espectros coletivos, o Canadá. o Brasil, o Congo Suíço e o Mercado Comum. Quase ninguém conhecia a história prévia daqueles entes platônicos, mas, sim, os mais ínfimos pormenores do último congresso de pedagogos, a iminente ruptura de relações e as mensagens que os presidentes mandavam, elaboradas pelo secretário do secretário com a prudente imprecisão que era própria do gênero. (...) No ontem que me tocou, as pessoas eram ingênuas; acreditavam que uma mercadoria era boa porque assim o afirmava e repetia o seu próprio fabricante. Também eram freqüentes os roubos, embora ninguém ignorasse que a posse de dinheiro não dá maior felicidade nem maior tranqüilidade.” (Borges, Jorge Luis “A utopia de um homem que está cansado in: O Livro de Areia)

segunda-feira, 2 de março de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Os ares da cidade: o caso (complicado) de Brasília

Tenho estado em Brasília nesses meses de janeiro e fevereiro, mais nela do que em qualquer outra cidade. Depois de longo tempo sem vir à cidade, cheguei numa quinta-feira muito calorenta e chuvosa que me lembrou as longas tardes de chuva do verão amazônico.

A despeito dessa aparente identificação, Brasília não lembra nenhuma das cidades onde já estive: a intenção de seus planejadores parece ter sido mesmo essa. Hoje, quase 49 anos depois de fundação da cidade, a capital do Brasil ainda carrega um certo ar rural. A terra vermelha do cerrado que cerca a cidade faz-se presente e espalha-se pelas ruas asfaltadas e pelos prédios espetaculares. É como se a cidade tivesse sido construída há poucos dias e inaugurada de maneira afoita: carroças pelo Eixo Monumental e pelas grandes vias das Asas Sul e Norte reforçam essa impressão.

Mais do que esse quê rural o impactante aqui é mesmo o vazio nas ruas, o que não significa que as pessoas não circulem: na verdade, é possível ver os brasilienses pelas ruas. A especificidade aqui é que quando andam a pé circulam pelas Super-Quadras com um certo ritmo e intensidade próprios dos moradores de um condomínio. A partir das 8 da noite, entretanto, as calçadas que beiram as grandes vias recebem pouquíssimos visitantes. Mesmo os corajosos fãs de caminhadas terminam ficando nas suas casas. A cidade é do cerrado: de noite, é fria!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

mais uma de Amazonino: quando o certo é o errado

Como venho acompanhando as discussões a respeito do processo de homologação da posse de Amazonino Mendes à Prefeitura de Manaus e os esforços da corajosa juíza amazonense Maria Eunice do Nascimento para impugná-la, posto aqui uma matéria publicada pela Folha de São Paulo. Copiei do site do jornal, cujo endereço é www.folha.com.br
Trata-se, como se vê, de mais uma "derrapada" do prefeito eleito de Manaus. É daquelas coisas que não são crimes, mas que devem ser evitadas pois , no mínimo, polêmicas.
Leiam e tiram suas conclusões.
Obrigado a quem me avisou sobre a notícia!!



13/01/2009 - 08h01
Amazonino dá cargo para filha de juiz do TRE-AM
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JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém

O prefeito de Manaus (AM), Amazonino Mendes (PDT), nomeou como diretora-presidente de uma fundação municipal uma filha do presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Amazonas, cujos juízes decidirão sobre um recurso que tenta impedir a cassação do prefeito.
O desembargador Ari Moutinho julgará o recurso se houver empate entre os outros seis juízes do tribunal --usando o chamado "voto de minerva".

Martha Moutinho, filha do juiz, chefiará a Fundação Dr. Thomas, que abriga e promove assistência a idosos. Segundo um currículo enviado à reportagem pela assessoria da prefeitura, ela é formada em psicologia e em direito, mas não possui nenhuma experiência profissional.

Amazonino, que teve o registro cassado em primeira instância em razão de uma acusação de compra de votos durante as eleições do ano passado, só conseguiu ser diplomado e tomar posse depois de o TRE deferir um pedido liminar que obrigava a apreciação de recursos interpostos pela defesa do prefeito depois da sentença.

Segundo a juíza Maria Eunice do Nascimento, responsável pela cassação, os recursos haviam sido protocolados fora do prazo. Por isso, ela se recusou a apreciar os embargos declaratórios. Neles, a defesa de Amazonino pedia que ela explicasse pontos de sua argumentação.

Nascimento manteve a mesma posição mesmo depois que o TRE teve uma interpretação diversa da sua, o que criou uma celeuma entre as duas instâncias e culminou com o afastamento temporário dela da função. Ontem, a Folha ligou para seu celular e para sua casa, mas a juíza estava em Brasília.

"É difícil afirmar que houve um jogo de interesses, mas é no mínimo estranho [a nomeação]", afirmou o promotor eleitoral Jorge Michel Ayres.

Durante o processo, uma semana antes da diplomação ocorrida no mês passado, a Promotoria Eleitoral de Manaus entrou com um pedido de suspeição de Ari, pedindo o afastamento do juiz do caso.

O argumento usado à época era que outro filho do presidente do tribunal, Ari Moutinho Filho, era suplente na Câmara dos Deputados do vice de Amazonino, Carlos Souza (PP), então deputado federal.

Portanto, disseram os promotores, ele se beneficiaria diretamente da diplomação do prefeito e de Souza. O pedido não foi aceito. Ari Moutinho Filho acabou sendo escolhido para um cargo no TCE (Tribunal de Contas do Estado) amazonense no final de dezembro, o que pôs fim ao objeto do pedido de suspeição.

À época, a nomeação de Martha ainda não havia sido divulgada. "Agora, vamos analisar se devemos fazer o pedido de novo", afirmou Ayres.

Desde o início do ano, Amazonino vem enfrentando críticas por colocar em vagas de primeiro escalão parentes seus ou de outros membros da administração. Ele nomeou uma filha para a Secretaria de Cultura e Turismo, a irmã do vice para a Subsecretaria de Assistência Social e Cidadania e a mulher de um secretário especial como diretora da ManausPrev _órgão que cuida da previdência da prefeitura.

A assessoria da prefeitura nega irregularidades nas nomeações. Afirma que todas se pautaram por "critério técnico". Ontem, a Folha deixou recados para Ari e Souza, mas até a conclusão desta edição nenhum dos dois ligou de volta. Martha também não foi localizada para dar sua versão.