O blog fez um teste: um pouco para que João da Ega, carente e saudoso, tivesse um motivo para se rejubilar, outro tanto para medir o que provoca mais (o escrito ou o não escrito?). Parece que o não escrito ganhou pontos. De toda maneira, a graça é escrever. Não tivemos a Bienal do Vazio?
Dessa forma, e depois do vazio, a promessa: um post por semana!
um abraço aos amigos do Ega!
João da Ega
ps: sabe o que o Fluminense falou pro Botafogo? Te vejo na segunda!!!
quarta-feira, 15 de julho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
anotações fortuitas: as velhas russas
Anotação na manhã de um dia chuvoso em Brasília:
Penso em duas velhas mulheres fugitivas da 2a. Guerra Mundial ainda escondidas em floresta isolada na Rússia. Sabem que ainda não se deu o fim das batalhas entre os exércitos, e das derrotas de uns e das vitórias de outros. Judias, fogem de todo contato possível com outros seres humanos. Uma delas, entretanto, está doente. É o início de uma mudança no mundo.
Penso em duas velhas mulheres fugitivas da 2a. Guerra Mundial ainda escondidas em floresta isolada na Rússia. Sabem que ainda não se deu o fim das batalhas entre os exércitos, e das derrotas de uns e das vitórias de outros. Judias, fogem de todo contato possível com outros seres humanos. Uma delas, entretanto, está doente. É o início de uma mudança no mundo.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Na República dos Broches, há também os criativos
Os observadores do Blog do Ega espalhados pela rede indicaram um blog desses que não se pode perder: é o blinkyoureyestwice.blogspot.com ! Achei muito legal! O Link está aqui ao lado!
A poluição de Brasília me impede de ter idéias! Parece que a fumaça não sobe.
De bom: dei um abraço no Lula! Acho que essa é para contar pros netos!
De ruim: a Azul ainda não faz Brasília-Rio!
Um outro lançamento na rede merece lembrança: é o www.ovascoemeu.com.br . Trata-se de campanha do Vasco da Gama para atrair novos sócios aos quadros do clube. A meta é atingir 100.000 novos em 2009. Em cinco dias, quase 20.000 se associaram, mas eu não. Meu objetivo pessoal é ser o centésimo milésimo dessa nova leva. Isso é uma revolução na vida do clube!
E o que é uma Revolução? Para Guedáli, personagem do Isaac Bábel no conto "Guedáli", "... Revolução é alegria. E alegria não gosta de ter órfãos pela casa. O homem faz boas obras. A Revolução é uma boa obra de homens bons. Mas os homens bons não matam. Então, quer dizer que quem faz a Revolução são os homens maus." Será? O Bábel, grande revolucionário, foi condenado à prisão e à morte na Sibéria pelo Stalin.
Hoje ouvi uma história, não sei se verídica, de um colega a respeito do Stálin: num determinado dia, um general do Exército Vermelho, observando alguns desvios de Stálin, decide matá-lo. Rompe o cerco da segurança do ditador e entra no seus aposentos. Quando vai concluir a obra, Stálin diz que o morto ali não será ele próprio, mas a própria Rússia, a Revolução Bolchevique, o Estado Russo. Complementa ainda apontando o futuro sombrio que já aguardava o general. Atarantado, o sujeito suicida-se.
Saudações latino-americanas porque amazonenses!
A poluição de Brasília me impede de ter idéias! Parece que a fumaça não sobe.
De bom: dei um abraço no Lula! Acho que essa é para contar pros netos!
De ruim: a Azul ainda não faz Brasília-Rio!
Um outro lançamento na rede merece lembrança: é o www.ovascoemeu.com.br . Trata-se de campanha do Vasco da Gama para atrair novos sócios aos quadros do clube. A meta é atingir 100.000 novos em 2009. Em cinco dias, quase 20.000 se associaram, mas eu não. Meu objetivo pessoal é ser o centésimo milésimo dessa nova leva. Isso é uma revolução na vida do clube!
E o que é uma Revolução? Para Guedáli, personagem do Isaac Bábel no conto "Guedáli", "... Revolução é alegria. E alegria não gosta de ter órfãos pela casa. O homem faz boas obras. A Revolução é uma boa obra de homens bons. Mas os homens bons não matam. Então, quer dizer que quem faz a Revolução são os homens maus." Será? O Bábel, grande revolucionário, foi condenado à prisão e à morte na Sibéria pelo Stalin.
Hoje ouvi uma história, não sei se verídica, de um colega a respeito do Stálin: num determinado dia, um general do Exército Vermelho, observando alguns desvios de Stálin, decide matá-lo. Rompe o cerco da segurança do ditador e entra no seus aposentos. Quando vai concluir a obra, Stálin diz que o morto ali não será ele próprio, mas a própria Rússia, a Revolução Bolchevique, o Estado Russo. Complementa ainda apontando o futuro sombrio que já aguardava o general. Atarantado, o sujeito suicida-se.
Saudações latino-americanas porque amazonenses!
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O Exército de Cavalaria
sábado, 25 de abril de 2009
Na República dos Broches, há também os corajosos
Esse post é mais uma comemoração, comemoração do dia em que um brasileiro falou verdades ao Presidente do STF. O Ministro Barbosa disse poucas e boas ao figurão do Mato Grosso e ainda foi curtir os cumprimentos do povão pelas ruas do Rio: da caminhada do Bar Luiz, no Largo da Carioca (acho que é por ali) até a Avenida Rio Branco, o Ministro foi abraçado, fotografado, aplaudido. Maravilha!
Na verdade, o atual texto ia nascendo de mais observações sobre a vida na capital brasileira. Um deles, o uso ostensivo de broches por servidores do Estado, se destaca entre os mais curiosos. É necessário apontar que só os servidores em altos cargos comissionados (na verdade, nem tão altos) usam os tais brochinhos. É muito interessante esse país: republicano, democrático, mas cheio de simbolos que contrariam seus princípios constitucionais.
Pois bem, quem chegar a Brasília e notar que engravatados costumam usar broches até nas filas dos supermecados (sintomático, não?), deve lembrar que os pequenos acessórios são um dos grandiosos símbolos de sucesso pessoal-profissional-político em Brasília.
Mesmo em viagens para longe do DF, onde a mais fácil identificação para o acesso aos Ministérios não é o essencial e nem pode ser usada como argumento, os republicanos usuários não esquecem os seus amados broches.
Deve existir nesses sites de relacionamentos comunidades do tipo "comunidade dos broches unidos" e coisas assim.
Não quis fazer nenhuma grande investigação sobre isso, mas uma declaração de um colega de trabalho resume bem o espírito da coisa: "... mas o Ministro não pode usar crachá: é muito feio". Aqui todo mundo sonha com dias melhores na vida buscando seu brochinho.
Na verdade, o atual texto ia nascendo de mais observações sobre a vida na capital brasileira. Um deles, o uso ostensivo de broches por servidores do Estado, se destaca entre os mais curiosos. É necessário apontar que só os servidores em altos cargos comissionados (na verdade, nem tão altos) usam os tais brochinhos. É muito interessante esse país: republicano, democrático, mas cheio de simbolos que contrariam seus princípios constitucionais.
Pois bem, quem chegar a Brasília e notar que engravatados costumam usar broches até nas filas dos supermecados (sintomático, não?), deve lembrar que os pequenos acessórios são um dos grandiosos símbolos de sucesso pessoal-profissional-político em Brasília.
Mesmo em viagens para longe do DF, onde a mais fácil identificação para o acesso aos Ministérios não é o essencial e nem pode ser usada como argumento, os republicanos usuários não esquecem os seus amados broches.
Deve existir nesses sites de relacionamentos comunidades do tipo "comunidade dos broches unidos" e coisas assim.
Não quis fazer nenhuma grande investigação sobre isso, mas uma declaração de um colega de trabalho resume bem o espírito da coisa: "... mas o Ministro não pode usar crachá: é muito feio". Aqui todo mundo sonha com dias melhores na vida buscando seu brochinho.
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vivas a Joaquim Barbosa
sábado, 4 de abril de 2009
o tempo
No diálogo com um homem do futuro sem nome, Eudoro Acevedo, personagem de Borges, assim fala de seu tempo:
“No meu curioso ontem, prevalecia a superstição de que entre cada tarde e cada manhã acontecem fatos que é uma vergonha ignorar. O planeta estava povoado de espectros coletivos, o Canadá. o Brasil, o Congo Suíço e o Mercado Comum. Quase ninguém conhecia a história prévia daqueles entes platônicos, mas, sim, os mais ínfimos pormenores do último congresso de pedagogos, a iminente ruptura de relações e as mensagens que os presidentes mandavam, elaboradas pelo secretário do secretário com a prudente imprecisão que era própria do gênero. (...) No ontem que me tocou, as pessoas eram ingênuas; acreditavam que uma mercadoria era boa porque assim o afirmava e repetia o seu próprio fabricante. Também eram freqüentes os roubos, embora ninguém ignorasse que a posse de dinheiro não dá maior felicidade nem maior tranqüilidade.” (Borges, Jorge Luis “A utopia de um homem que está cansado in: O Livro de Areia)
“No meu curioso ontem, prevalecia a superstição de que entre cada tarde e cada manhã acontecem fatos que é uma vergonha ignorar. O planeta estava povoado de espectros coletivos, o Canadá. o Brasil, o Congo Suíço e o Mercado Comum. Quase ninguém conhecia a história prévia daqueles entes platônicos, mas, sim, os mais ínfimos pormenores do último congresso de pedagogos, a iminente ruptura de relações e as mensagens que os presidentes mandavam, elaboradas pelo secretário do secretário com a prudente imprecisão que era própria do gênero. (...) No ontem que me tocou, as pessoas eram ingênuas; acreditavam que uma mercadoria era boa porque assim o afirmava e repetia o seu próprio fabricante. Também eram freqüentes os roubos, embora ninguém ignorasse que a posse de dinheiro não dá maior felicidade nem maior tranqüilidade.” (Borges, Jorge Luis “A utopia de um homem que está cansado in: O Livro de Areia)
segunda-feira, 2 de março de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Os ares da cidade: o caso (complicado) de Brasília
Tenho estado em Brasília nesses meses de janeiro e fevereiro, mais nela do que em qualquer outra cidade. Depois de longo tempo sem vir à cidade, cheguei numa quinta-feira muito calorenta e chuvosa que me lembrou as longas tardes de chuva do verão amazônico.
A despeito dessa aparente identificação, Brasília não lembra nenhuma das cidades onde já estive: a intenção de seus planejadores parece ter sido mesmo essa. Hoje, quase 49 anos depois de fundação da cidade, a capital do Brasil ainda carrega um certo ar rural. A terra vermelha do cerrado que cerca a cidade faz-se presente e espalha-se pelas ruas asfaltadas e pelos prédios espetaculares. É como se a cidade tivesse sido construída há poucos dias e inaugurada de maneira afoita: carroças pelo Eixo Monumental e pelas grandes vias das Asas Sul e Norte reforçam essa impressão.
Mais do que esse quê rural o impactante aqui é mesmo o vazio nas ruas, o que não significa que as pessoas não circulem: na verdade, é possível ver os brasilienses pelas ruas. A especificidade aqui é que quando andam a pé circulam pelas Super-Quadras com um certo ritmo e intensidade próprios dos moradores de um condomínio. A partir das 8 da noite, entretanto, as calçadas que beiram as grandes vias recebem pouquíssimos visitantes. Mesmo os corajosos fãs de caminhadas terminam ficando nas suas casas. A cidade é do cerrado: de noite, é fria!
A despeito dessa aparente identificação, Brasília não lembra nenhuma das cidades onde já estive: a intenção de seus planejadores parece ter sido mesmo essa. Hoje, quase 49 anos depois de fundação da cidade, a capital do Brasil ainda carrega um certo ar rural. A terra vermelha do cerrado que cerca a cidade faz-se presente e espalha-se pelas ruas asfaltadas e pelos prédios espetaculares. É como se a cidade tivesse sido construída há poucos dias e inaugurada de maneira afoita: carroças pelo Eixo Monumental e pelas grandes vias das Asas Sul e Norte reforçam essa impressão.
Mais do que esse quê rural o impactante aqui é mesmo o vazio nas ruas, o que não significa que as pessoas não circulem: na verdade, é possível ver os brasilienses pelas ruas. A especificidade aqui é que quando andam a pé circulam pelas Super-Quadras com um certo ritmo e intensidade próprios dos moradores de um condomínio. A partir das 8 da noite, entretanto, as calçadas que beiram as grandes vias recebem pouquíssimos visitantes. Mesmo os corajosos fãs de caminhadas terminam ficando nas suas casas. A cidade é do cerrado: de noite, é fria!
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